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Secção de Agricultura

Solos Litólicos não Húmicos

Descrição geral das Famílias

Estes solos, que diferem essencialmente dos do capítulo anterior por não terem um horizonte A1 húmico, repartem-se pelas 10 Famílias seguintes:

Solos Litólicos Não Húmicos:
- de materiais arenáceos pouco consolidados (Par)
- de granitos ou rochas afins (Pg)
- de microgranitos ou rochas cristalofílicas afins (Pga)
- de rochas eruptivas de composição mineralógica entre o granito e o quartzodiorito (Pgm)
- de rochas microfíricas claras (Ppg)
- de sienitos (Psn)
- de arenitos finos micáceos (Pt)
- de rochas ferruginosas (Vf)
- de grés de Silves ou rochas afins (Vts)
- de outros arenitos (Vt)

A seguir se apresentam as suas descrições gerais.

Solos Litólicos Não Húmicos de materiais arenáceos pouco consolidados (Par)

Horizonte Ap - 15 a 25 cm; pardo, pardo-escuro, mais raramente pardo-claro ou pardo-avermelhado; arenoso a franco-arenoso; sem agregados; soltos; pH 5,0 a 6,0. Transição nítida ou gradual para

Horizonte AC ou B - 20 a 60 cm; semelhante ao anterior mas ligeiramente mais claro (pardo, pardo-claro ou pardo-avermelhado); pH 5,5 a 6,5. Transição gradual para

Horizonte C - Materiais arenáceos pouco consolidados.

Solos Litólicos Não Húmicos de granitos ou rochas afins (Pg)

Horizonte Ap - 15 a 25 cm; pardo, pardo-pálido, pardo-claro ou pardo-amarelado; arenoso; sem agregados; solto; pH 4,5 a 5,5. Transição gradual para

Horizonte AC ou B - 10 a 40 cm; idêntico ao anterior mas ligeiramente mais claro. Transição gradual para

Horizonte C - Material originário de cor mais clara do que a da camada superior (em regra pardo-clara), de espessura superior a 10 cm, arenoso ou franco-arenoso e com alguns fragmentos de rocha em meteorização; com a profundidade tornam-se cada vez mais evidentes os componentes minerais da rocha-mãe, que é um granito ou uma rocha afim.

Solos Litólicos Não Húmicos de microgranitos ou rochas cristalofílicas afins (Pga)

Horizonte Ap - 15 a 25 cm; pardo; arenoso-franco ou franco-arenoso (predomínio da areia fina); sem agregados ou com estrutura grumosa fina fraca; solto ou muito friável; pH 5,0 a 5,5. Transição gradual para

Horizonte AC ou B - 25 a 60 cm; semelhante ao anterior mas de cor pardo-amarelado-clara ou pardo-pálida. Transição gradual para

Horizonte C - Material originário proveniente de meteorização de microgranitos ou rochas cristalofílicas afins (gneisses e xistos cristalofílicos quartzosos).

Solos Litólicos Não Húmicos de rochas eruptivas de composição mineralógica entre granito e quartzodiorito (Pgm)

Horizonte Ap - 15 a 25 cm; pardo ou pardo-amarelado; arenoso; sem agregados; solto; pH 5,5 a 6,5. Transição gradual para

Horizonte B - 15 a 20 cm; pardo ou pardo-amarelado; franco-arenoso ou franco; estrutura anisoforme subangulosa grosseira fraca; pH 6,0 a 7,0. Transição gradual para

Horizonte C - Material originário proveniente da desagregação de rochas eruptivas de composição mineralógica entre granito e quartzodiorito, principalmente quartzomonzoritos e granodioritos, o qual é de textura mais fina do que o dos solos (Pg).

Solos Litólicos Não Húmicos de rochas microfíricas claras (Ppg)

Horizonte Ap - 15 a 30 cm; rosado, cinzento ou pardo-claro (s) e pardo-avermelhado (h); arenoso-franco ou franco-arenoso, com alguns ou bastantes elementos grosseiros (saibro, cascalho, pedras) de rocha-mãe; sem ou quase sem agregados; solto ou muito friável; pH 5,5 a 6,5. Transição nítida para

Horizonte AC ou B - 10 a 40 cm; rosado ou pardo-claro (s) e vermelho-amarelado (h); arenoso-franco ou franco-arenoso, com algum saibro; sem ou quase sem agregados; solto ou muito friável; quando secas as partículas minerais mostram-se ligeiramente ligadas entre si; pH 5,5 a 6,5. Transição nítida ou gradual para

Horizonte C - Material originário proveniente de rochas microfíricas claras (pórfiros graníticos, quartzomonzoníticos e granodioríticos, principalmente).

Solos Litólicos Não Húmicos de sienitos (Psn)

Horizonte Ap -25 a 40 cm; pardo ou castanho; franco-arenoso ou arenoso-franco; estrutura grumosa fina ou média fraca ou sem agregados; friável e fofo; pH 5,0 a 6,5. Transição gradual para

Horizonte AC ou B - 10 a 40 cm; pardo-forte; arenoso-franco a franco-argiloso; estrutura granulosa fina fraca ou sem agregados; muito friável; pH 5,0 a 6,0. Transição gradual para

Horizonte C - Material originário proveniente da meteorização de sienitos.

Solos Litólicos Não Húmicos de arenitos finos micáceos (Pt)

Horizonte Ap - 25 a 40 cm; pardo-amarelado; arenoso-franco ou franco-arenoso; sem agregados ou com estrutura grumosa ou granulosa fina fraca; friável; pH 5,5 a 6,5. Transição gradual para

Horizonte AC ou B - 0 a 30 cm; semelhante ao anterior mas de textura ligeiramente mais fina; sem agregados; solto. Transição gradual para

Horizonte C - Material originário: material de cor pardo-amarelada com tons castanho-ferruginosos e cinzentos, de 10 a 30 cm de espessura, de textura arenosa-franca eu arenosa.

Horizonte R - Rocha-mãe: arenito de grão fino com palhetas de moscovite.

Solos Litólicos Não Húmicos de rochas ferruginosas (Vf)

Horizonte Ap - 15 a 25 cm; castanho-avermelhado; franco ou franco-arenoso, com bastante saibro e cascalho e algumas pedras e calhaus subangulosos de rocha ferruginosa; com estrutura granulosa fina e muito fina fraca a moderada; muito friável e fofo. Transição abrupta para

Horizonte AC ou B - 10 a 30 cm; semelhante ao anterior excepto na estrutura que é subangulosa fina fraca. Transição gradual para

Horizonte C - Material proveniente da desagregação da rocha-mãe que é uma rocha ferruginosa (em geral brecha constituída por pedaços de pórfiro félsico xistificado ou xisto com muitos veios e núcleos de óxidos de ferro possivelmente associados a manganês, que aparece em filões próximo de minas de ferro; nalguns casos granito ferruginoso).

Solos Litólicos Não Húmicos de grés de Silves ou rochas afins (Vts)

Horizonte Ap - 15 a 25 cm; castanho-avermelhado; arenoso ou arenoso-franco; sem agregados ou com estrutura granulosa fina fraca; solto ou friável; pH 6,5 a 7,5. Transição gradual para

Horizonte AC ou B - 10 a 20 cm; idêntico ao anterior, mas mais claro, devido à menor percentagem de matéria orgânica, e por vezes de textura franco-arenosa; pH 7,0 a 8,0. Transição gradual para

Horizonte C - Material originário: grés de Silves ou rochas afins em meteorização.

Solos Litólicos Não Húmidos de outros arenitos (Vt) (excluindo os grés de Silves ou afins e os arenitos finos micáceos)

Horizonte Ap - 15 a 25 cm; pardo, castanho ou pardo-amarelado-escuro; arenoso ou arenoso-franco; sem agregados ou com estrutura granulosa ou grumosa fina franca; solto ou friável; pH 5,0 a 7,0. Transição gradual para

Horizonte AC ou B - 10 a 35 cm; idêntico ao anterior mas mais claro, devido à menor percentagem de matéria orgânica, sem agregados e às vezes franco-arenoso; pH 6,0 a 7,5. Transição gradual para

Horizonte C - Material originário: camada de 0 a 20 cm de espessura, de cor amarelada com laivos avermelhados ou acinzentados, associados a manganês, que aparece em filões próximo de minas de ferro; nalguns casos granito ferruginoso).

Solos Litólicos Não Húmicos de grés de Silves ou rochas afins (Vts)

Horizonte Ap - 15 a 25 cm; castanho-avermelhado; arenoso ou arenoso-franco; sem agregados ou com estrutura granulosa fina fraca; solto ou friável; pH 6,5 a 7,5. Transição gradual para

Horizonte AC ou B - 10 a 20 cm; idêntico ao anterior, mas mais claro, devido à menor percentagem de matéria orgânica, e por vezes de textura franco-arenosa; pH 7,0 a 8,0. Transição gradual para

Horizonte C - Material originário: grés de Silves ou rochas afins em meteorização.

Solos Litólicos Não Húmidos de outros arenitos (Vt) (excluindo os grés de Silves ou afins e os arenitos finos micáceos)

Horizonte Ap - 15 a 25 cm; pardo, castanho ou pardo-amarelado-escuro; arenoso ou arenoso-franco; sem agregados ou com estrutura granulosa ou grumosa fina franca; solto ou friável; pH 5,0 a 7,0. Transição gradual para

Horizonte AC ou B - 10 a 35 cm; idêntico ao anterior mas mais claro, devido à menor percentagem de matéria orgânica, sem agregados e às vezes franco-arenoso; pH 6,0 a 7,5. Transição gradual para

Horizonte C - Material originário: camada de 0 a 20 cm de espessura, de cor amarelada com laivos avermelhados ou acinzentados, arenosa a argilo-arenosa, proveniente da meteorização de arenitos ou conglomerados de cimento, argiloso com percentagem variável de óxidos de ferro que aparecem subjacentemente.

Os Solos Litólicos Não Húmicos desenvolvem-se geralmente em relevo normal, por vezes excessivo.

Os solos da Família Par são mais frequentes nas zonas de Ferreira do Alentejo, Alvalade (Sado), nalguns terraços do Guadiana, e na charneca do Ribatejo. Os da Família Pg encontram-se onde existem granitos, nomeadamente entre Serpa e Moura, entre Montemor-o-Novo e Arraiolos, em Monforte e entre Portalegre e Nisa. Os da Família Pga foram principalmente cartografados nas proximidades de Monforte. Os da Família Pgm são frequentes nas regiões de Évora, Montemor-o-Novo e Reguengos de Monsaraz. Os da Família Ppg encontram-se na zona Torrão - Alcáçovas, em Baleizão (Beja), em Montemor-o-Novo, entre Arraiolos e Estremoz e em Alter do Chão. Estes solos aparecem principalmente em morros ou pequenas elevações que emergem de uma superfície aplanada e rebaixada onde se desenvolvem Solos Mediterrâneos Pardos (16). Os da Família Psn aparecem apenas na Serra de Monchique. Os da Família Pt são mais frequentes na área de Almada e Setúbal. Os da Família Vf encontraram-se próximo de Cercal do Alentejo. Os da Família Vts aparecem nas formações de grés de Silves, isto é, principalmente na faixa de Triásico do Sul. E os da Família Vt têm uma larga representação em toda a área a que este estudo diz respeito, sobretudo nas zonas do Mesozóico, do Cenozóico e do Antropozóico.

Dados analíticos físicos e químicos

Dados analíticos respeitantes a 10 perfis de 9 das Famílias atrás descritas são apresentados no Quadro 10. Não é possível incluir quaisquer elementos referentes à Família de símbolo (Pga). Da Família (Vt) apresentam-se, em contrapartida, dados de dos perfis representativos.

Verifica-se que os Solos Litólicos Não Húmicos são quase sempre de textura ligeira resultante da natureza de material originário ou da sua relativamente reduzida alteração. Também o seu teor orgânico é bastante reduzido, poucas vezes excedendo 1 %. O clima em que se desenvolvem

e, mais ainda, o sistema cultural predominante são a razão de tão baixa percentagem de materiais orgânicos. Estes têm relações C/N baixas indicadoras de uma decomposição rápida. Os valores do ferro livre não são, no geral, elevados; aumentam, porém, com a profundidade, o que mostra haver uma certa lavagem para as camadas inferiores. Na realidade muitos destes solos revelam alguns sintomas de podzolização.

A capacidade de troca de catiões é baixa, raramente excedendo 10 m.e./100g, sobretudo devido à falta de colóides minerais. O catião dominante é o cálcio. Nalguns solos o teor de magnésio é muito baixo, reduzindo-se até a vestígios (Par, Pg, Pgn e Vts); noutros, como nos horizontes B e C do Psn atinge valores muito altos relativamente ao cálcio, ultrapassando 20 % da capacidade de troca, o que só é vulgar em "Solonetz" magnesíferos. Os valores de potássio de troca, com excepção de um caso ou outro, parecem medianos mas os de sódio, em relação aos do elemento anterior, são quase sempre elevados. O grau de saturação oscila entre 50 e 100% e o pH indica acidez moderada ou neutralidade. A ideia até certo ponto generalizada da grande acidez de muitos dos solos de textura ligeira do Sul do País não é assim confirmada.

A expansibilidade destes solos é muito baixa ou nula e a permeabilidade é muito rápida. A capacidade de campo em todos os solos estudados pode classificar-se como mediana, pois varia entre cerca de 10% e pouco mais de 20%. O cálculo da água disponível nos primeiros 50 cm de solo, feito para aqueles perfis de que se dispõe de dados, revela que uma quantidade entre 65 mm e 120 mm de água pode ser utilizada pelas plantas, o que indica uma elevada ou muito elevada capacidade utilizável. Isso é principalmente devido aos baixos valores a pF 4,2.

Mineralogia da areia fina

Os resultados da análise mineralógica da areia fina de 6 perfis pertencentes a 5 Famílias são apresentados no Quadro 11.

Os solos derivados de rochas eruptivas são os que apresentam maior reserva mineral. Neles existe uma quantidade substancial de feldspatos não identificados, na fracção leve, indicadora de um estado de meteorização pouco avançado. Essa quantidade é, porém, menor no horizonte superficial, como seria de prever. A relativamente fraca meteorização desses solos é também confirmada pela presença de horneblenda (excepto em Ppg) e de clorite (só em Pgm), no que diz respeito à fracção pesada. O solo derivado de rochas microfíricas claras (Ppg) é, dos formados a partir de rochas eruptivas, o mais intensamente meteorizado.

Os solos derivados de rochas sedimentares apresentam uma reserva mineral muito menor, o que deve constituir uma característica herdada da rocha-mãe e não ser fruto de um estado avançado de meteorização do solo "in situ". Em todo o caso ainda se encontra neles uma certa quantidade, embora baixa, de feldspatos (onde talvez a microclina, mais resistente, ocupe lugar importante) e até de estaurolite. A presença deste mineral indica a proveniência metamórfica, total ou parcial, do material sedimentar originário.

A "suite" mineralógica do perfil nº 61 de um solo derivado de arenitos (Vt) parece indicar que existe uma descontinuidade litológica de horizonte B1 para o B2. Com efeito enquanto nos horizontes superficiais se encontra estaurolite, um mineral de meteorização não demasiado difícil, e não há moscovite, verifica-se o contrário nos horizontes inferiores. Acresce ainda que a percentagem da fracção pesada é maior nestes horizontes. Deve, pois, ter havido uma deposição subsequente à do arenito, estando o solo hoje desenvolvido em dois materiais originários.

 

QUADRO 11

ANÁLISE MINERALÓGICA DA AREIA FINA DE SOLOS LITÓLICOS NÃO HÚMICOS

Unidade e perfil

Amostra número

Horizonte

Peso da areia (g)

Fracção leve

Mineralogia da fracção leve

Fracção pesada

Mineralogia da fracção pesada (%)

       

Peso (g)

%

Quartzo

Feldsp.

Peso (g)

%

Mosc.

Turm.

Horn.

Zir.

Esf.

Clo.

Est.

Brook

Opacos

Pg-213 5867 Ap 4.310 4.111 95.38 60 40 0.199 4.62 15 45 26 1 1 - - - 12
  5868 C 4.395 4.196 95.47 45 55 0.199 4.53 19 38 34 - - - - - 9
Pgm-375 9127 Ap 2.537 2.406 94.83 75 25 0.131 5.17 6 - 22 1 - 62 - - 9
  9128 B 2.939 2.807 95.51 60 40 0.132 4.49 4 - 26 4 - 59 - - 7
Ppg-82 8318 Ap 3.984 3.910 98.14 80 20 0.074 1.86 - - - 5 2 - - - 93
  8319 B 4.458 4.336 97.26 70 30 0.122 2.74 - - - 7 3 - - - 90
  8320 C 3.361 3.276 97.47 75 25 0.085 2.53 - - - 8 - - - - 92
Vt-61 7158 A1 3.470 3.353 96.63 85 15 0.117 3.37 - 10 - 7 9 - 8 - 66
  7159 B1 5.326 5.182 97.30 90 10 0.144 2.70 - 16 - 8 14 - 3 - 59
  7160 B2 1.576 1.476 93.65 90 10 0.100 6.35 9 6 - 3 8 - - - 74
  7161 C 1.446 1.382 95.57 88 12 0.064 4.43 7 8 - 11 5 - - - 69
Vt-284 6807 A1 5.310 5.232 98.53 95 5 0.078 1.47 - 24 - 3 22 - 6 1 44
  6808 B 5.223 5.140 98.41 95 5 0.083 1.59 - 35 - - 24 - 8 - 33
Vts-464 9745 Ap 43784 43637 96.93 95 5 0.147 3.07 - 5 - 4 8 - - - 83
  9747 B 4.324 4.122 95.33 95 5 0.202 4.67 - 5 - 7 4 - - - 84
  9746 C 3.983 3.907 98.09 95 5 0.076 1.91 - 3 - 5 6 - - - 86

Mineralogia da argila

Por se não ter considerado de grande relevância e urgência o estudo das argilas dos Solos Litólicos Não Húmicos, apenas se apresentam aqui a análise química dos colóides minerais do horizonte B dum solo derivado de sienito (Quadro 12) e a sua análise térmica diferencial (Gráfico 2).

A análise química sugere a presença de ilite (92). As relações moleculares SiO2/R2O3 e SiO2/Al2O3 indicam o carácter sialítico do material. Por estimativa, atribuiu--se à argila uma capacidade de troca de cerca de 30 m.e./100g. O gráfico da análise térmica diferencial, através dos valores de P e E (113), reforça a hipótese de se tratar de uma ilite possivelmente associada a alguns minerais 1:1, talvez caulinite mal cristalizada ou mesmo haloisite (S = 3,2) (32).

Tem-se assim que no solo estudado os minerais da argila devem ser a ilite e, possivelmente, alguma caulinite e/ou haloisite.

 

GRAFICO 2

ANÁLISE TÉRMICA DIFERENCIAL DOS COLÓIDES MINERAIS DE UM SOLO LITÓLICO NÃO HÚMICO

Micromorfologia

Por se julgar que o estudo micromorfológico dos Solos Litólicos Não Húmicos teria menos interesse do que o doutros solos mais evoluídos e porque não era possível estudar todas as Famílias até agora estabelecidos, houve que reduzir drasticamente o número de perfis desta Subordem a investigar sob este aspecto. Assim apenas se prepararam e observaram cortes dos dois horizontes do perfil nº 464 de um solo derivado de grés de Silves (Vts), e isto mais a título de curiosidade e exemplo do que por quaisquer razões especiais.

Vts -Perfil 464

Horizonte Ap (Corte nº 1). -O "fabric" é clamidomórfico (106); os grãos minerais, na sua maioria pertencentes ao lote da areia fina, estão completamente rodeados por películas coloidais vermelhas em que predominam os óxidos de ferro; os grãos, por sua vez, reúnem-se em complexos coerentes mas frágeis produzidos por coalescência das películas nos pontos em que os grãos se encontram.

Notam-se algumas concreções ferruginosas negras com grãos minerais, quase sempre de quartzo, inclusos. As concreções são ovóides com eixos maiores entre 1 e 2 mm e menores de 0,5 a 1 mm.

Algumas, raras, pequenas raízes e raros grumos de matéria orgânica de diâmetro inferior a 0,2 mm foram observados.

As películas que revestem as partículas minerais são do tipo "free grain cutans" (34) e simples, compostas de uma única substância mineralógica ou de uma íntima e uniforme mistura de substâncias.

Não se nota qualquer orientação preferencial dos grãos individuais ou dos agregados.

O plasma é isotrópico e não parece apresentar também qualquer orientação. Nalguns pontos há concentrações apreciáveis de plasma, isto é, de material coloidal em que predominam óxidos de ferro que, todavia, por ampliação, se verifica apresentar inúmeros grãos de areia muito fina e de limo inclusos.

Os poucos pequenos canais existentes têm as paredes internas quase, sempre revestidos de delgada camada de plasma não orientado.

Horizonte B (Corte nº 2). - O "fabric" é porfirítico, do tipo porfiropéctico (106), muito denso, em que quase não há agregados estruturais nem canais, canalículos ou fendas.

Os grãos minerais, na sua maioria. de quartzo, estão imersos num plasma vermelho denso, quase sem espaços livres, isotrópico, grandemente constituído por óxidos de ferro, que deve representar 10 a 20 % da constituição do horizonte; portanto o que predomina é o esqueleto mineral e não o plasma, que apenas preenche os pequenos intervalos entre os grãos. Quando estes se isolam ou aparecem na face de agregados verifica-se que se apresentam sem película de plasma a envolvê-los. Parece, portanto, que o plasma tem mais uma acção de preenchimento dos interstícios do que propriamente a de ligar os grãos uns aos outros. A aderência do plasma ao esqueleto aparenta ser fraca, pois que as fracturas coincidem quase sempre com as faces dos grãos minerais limpas de películas de plasma.

Não se nota qualquer orientação preferencial dos grãos minerais ou do plasma e os raros canalículos observados não apresentam quaisquer películas de argila ou "cutans".

Há abundantes concreções ferruginosas ovais e esféricas de dimensões entre 0,5 e 3 mm, sempre com grãos de areia muito fina e limo inclusos.

Algumas segregações lineares verticais de óxidos de ferro foram observadas.

Considerações sobre a génese

Os Solos Litólicos Não Húmicos são solos pouco evoluídos de perfil AC ou A B C, sem horizonte A1 húmico, formados a partir de rochas não calcárias, de grande representação a sul do rio Tejo.

Nestes solos o principal factor de formação é a rocha-mãe, que está sujeita a intensa meteorização física e a menos forte alteração química, sendo em geral relativamente pequenas a formação de argila e a segregação de ferro livre e praticamente nulas as migrações. Por acção do clima, pouco favorável ao desenvolvimento de forte cobertura vegetal, a que se junta a prolongada interferência do homem através de um cultivo muitas vezes secular, quase sempre favorecedor dos fenómenos erosivos, é baixo o teor orgânico destes solos e pequena a sua espessura efectiva. São, pois, solos relativamente delgados, frequentemente pobres sob o ponto de vista químico devido à fraca alteração da rocha originária e muitas vezes à própria pobreza desta, em que escasseia o complexo de absorção e abundam os fragmentos grosseiros de difícil meteorização.

Nos de textura mais ligeira verifica-se, por vezes, um princípio de podzolização.

Quando em fase delgada aproximam-se muito dos Litossolos, podendo então classificar-se no Subgrupo dos Para-Litossolos.

Os Solos Litólicos derivados do grés de Silves e os de rochas ferruginosas devem a sua cor vermelha à rocha-mãe; são, pois, solos litocrómicos. O estudo micromorfológico dos primeiros revela que o processo de rubefacção (e até talvez o de laterização) actuou em épocas remotas sobre os materiais que vieram a dar origem aos solos pouco evoluídos actuais.

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